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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Na esteira da eleição das novas 7 maravilhas do mundo, "o caderno Mais!, da Folha, realiza até quarta-feira, 4 de julho, a enquete "Sete Maravilhas". Foram escolhidas sete áreas: arte, cidades, ciência, cinema, filosofia, internet e literatura. As indicações foram dadas por especialistas convidados pelo caderno. O resultado será anunciado na edição de 8 de julho." (da Folha de S. Paulo).

Não apreciei todas as indicações, mas quem quiser vê-las ou votar pode acessar "Sete Maravilhas".

Não sei porque Música ficou de fora. Há detalhes como em Arte uma das indicações ser da filmografia completa de um cineasta, o que seria redundante pois já há a categoria Cinema. Também faltaram links para ver ou conhecer melhor cada obra indicada, o que costuma existir na maioria das votações online bem produzidas.

Como cada lista de indicações veio de um especialista convidado, também caberia um link de referência do especialista.

Cidades
Cinema
Web
Literatura
Filosofia
Ciência
Arte

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Death Poem

Catatau, que visitou o Parapeito de Papel outro dia, cumpriu sua promessa e foi buscar na Universidade de Iowa um dos poemas escritos em Guantânamo, o qual também transcrevo aqui. Como ele diz em seu blog, "junto a filmes como Road to Guantanamo, e manifestações artísticas como as de Bansky, o livro de poemas é um esforço a mais para dar voz a quem - no país da liberdade - não possui voz alguma.".

Death Poem

Take my blood.
Take my death shroud and
The remnants of my body.
Take photographs of my corpse at the grave, lonely.

Send them to the world,
To the judges and
To the people of conscience,
Send them to the principled men and the fair-minded.

And let them bear the guilty burden before the world,
Of this innocent soul.
Let them bear the burden before their children and before history,
Of this wasted, sinless soul,
Of this soul which has suffered at the hands of the “protectors of peace.”

(Jumah al Dossari)

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Livro reúne poemas de presos em Guantánamo

A notícia foi dada na BBC Brasil hoje.

Uma coleção quase clandestina de poemas escritos por prisioneiros da base militar americana de Guantánamo será lançada até o fim do ano por uma editora dos Estados Unidos.

Poems from Guantánamos: The Detainees Speak ("Poemas de Guantánamo: Os Prisioneiros Falam", em tradução livre) já pode ser encomendada online no site da Universidade de Iowa Press.

Os organizadores da coleção disseram que os 22 poemas dos 17 autores foram inicialmente "escritos em pasta de dente, ou riscados com bolinhas de gude em copos de plástico", expressando o que chamam de "forma mais básica de arte".

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Travestis, bonés e crachás

Passos rápidos pela rua.
Ouço dois travestis comentando um com o outro, que foi acordado agora há pouco.
Passa uma pickup e o passageiro põe a cabeça para fora, gritando algo para os travestis que nesse minuto já ficaram para trás.
Só ouço que um deles responde um "gostoso!..." meio fraco, meio baixo, meio por costume, meio por obrigação e continua a conversar.
São apenas 18h, mas o centro de São Paulo é o centro de São Paulo. Quem mora, trabalha ou estuda no centro,
está acostumado a ver de tudo.
Uma moça com crachá da Prefeitura fala ao celular, ao lado de moradores de rua. Difícil é tirá-los da rua e eles não voltarem, e muitas vezes para o mesmo local.
A viatura parada.
Os policiais acabam de liberar quatro rapazes de boné e bicicletas. Por hoje foi só. Não vi mais nada, não ouvi mais nada, ou foi o cansaço da subida à pé...
Ao cruzar a fronteira de Higienópolis, esses personagens saem de cena. Agora apenas guardadores de carro.

Foto: Grupo de artistas realiza intervenção política diante do edifício Prestes Maia, como parte das ações de apoio aos movimentos de moradia do centro de São Paulo.

(Foto encontrada no blog Xamânico, de autoria de Polart)

quinta-feira, 12 de abril de 2007

A incrível caixinha de armazenar músicas

Muito se fala sobre a miséria no país, a fome, a falta de acesso à cultura, a necessidade de inclusão digital da população. Para que falar sobre isso?

A cena é outra: na churrascaria dos Jardins em Sampa, geralmente freqüentada por executivos, a avó bem vestida, elegante e alinhada almoça com a neta. A menina aparenta ter uns 9 anos, é falante e come na velocidade inversamente proporcional à quantidade de palavras que extrai em seu monólogo.
A avó vigia cada pedaço de comida, se comeu ou não, se cortou faz tempo e abandonou, porque pegou tanta batata frita e olha, o molho vai sujar sua roupa. Enquanto a menina mastiga por milímetros e fala por kilômetros.
Um elogio da avó sobre uma amiga sua a faz discorrer como esta é seu clone, sua gêmea, separadas no nascimento.
A avó descrente olha para o prato de comida, o único da mesa, ao lado dos copos de suco vazios.
A menina conta sobre a promessa da mãe de lhe dar um ipod se tirasse 10 nesse bimestre, pelo menos em algumas matérias.
Mesmo conformada diante da impossibilidade de ganhar agora o presente, pois o 10 não virá, ela tenta explicar à avó o que é um ipod - uma caixinha que serve para "armazenar" - fala assim, com entonação entre aspas - músicas, todas as que você quiser.
A avó não se interessa muito, nem se surpreende.
A menina também não se surpreende com o prêmio oferecido para um fim de bimestre escolar. Para outras crianças, o mimo seria para o fim do ano. Para milhares de outras, seria inalcançável, irreal. Para milhões de outras, impossível, desconhecido, inexistente.
Mas a menina não se dá conta.
A mãe não se dá conta.
A avó não se dá conta.