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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Cronologia do nosso tempo (10)

Foto do site Yahoo
Dia 12/02/09
  • A empresa japonesa de eletrônica Pioneer anunciou que cortará 10 mil empregos no mundo todo. Outras empresas já anunciaram seus cortes: Sony (16 mil), NEC (20 mil) e Nissan (20 mil).
  • Renault anuncia 9 mil demissões, sendo metade na França.
  • Nike pode demitir mais de 1,4 mil funcionários para cortar despesas, apesar do aumento de 9% no lucro líquido no último trimestre.
  • No Brasil a Oi eliminou 400 posições gerenciais após fusão com a Brasil Telecom.
  • A CUT realizou dia nacional de lutas em todo o país.

Cronologia do nosso tempo (9)

11 a 12/02/09

  • Efeito da crise sobre economia ainda está por vir, diz FMI.
  • América Latina levará até 3 anos para superar crise, diz BID.
  • A montadora americana General Motors abriu plano de demissões voluntárias visando reduzir 10 mil de seus 62 mil empregados. Em 2006 um plano similiar atingiu resultados acima do esperado: 30 mil demitidos.
  • Ao mesmo tempo no Brasil a Justiça manda GM indenizar 802 rabalhadores temporários demitidos da fábrica de São José dos Campos (SP).
  • Metalúrgicos do ABC também vão às ruas protestar contra demissões: protesto é chamado de 'Querem lucrar com a crise. A classe trabalhadora não vai pagar esta conta'.
  • Crise global reduz empregos em indústrias de Pernambuco: a Fricon - segunda maior fabricante nacional de freezers - já demitiu 144 empregados. O saldo no setor é de 450 desempregados.
  • Só no mês de dezembro, segundo dados do Dieese, foram demitidos em todo o país 655 mil trabalhadores.

Gente vendendo gente

  • Tráfico de pessoas movimenta até US$ 9 bi por ano, diz ONU (site Terra)
  • Brasil teve quase 22 mil casos de trabalho escravo em 5 anos, diz ONU (site G1)
Dois enfoques a partir do mesmo relatório divulgado hoje pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês). O estudo sobre tráfico humano e trabalho escravo no mundo revela números impressionantes para o século XXI.
Depois do tráfico de drogas, o tráfico humano representa o 3° lugar na economia no mundo do crime, após o tráfico de armas.
Os pesquisadores admitem que essa é apenas a ponta de um iceberg, uma vez que muitos casos podem não ser conhecidos e a tendência é a crise econômica global potencializar a vitimização de seres humanos.
A exploração sexual é a maior motivação (79%, atingindo mais mulheres e meninas), seguida pelo trabalho forçado (18%). No trabalho forçado as crianças são 20% das vítimas.
Segundo a coordenação do estudo, os governos não reconhecem os fatos ou negligenciam o combate. Comparado ao combate ao narcotráfico, os esforços são bem inferiores.

Enquanto trabalha-se na elaboração de um código de conduta para o setor privado, para tentar assegurar que não é utilizado o tráfico de mão-de-obra em nenhum elo da cadeia produtiva, há outros fatores que continuam colaborando para que a situação permaneça ou piore:
  • multinacionais migram para países em que a regulamentação trabalhista é precária, e quando há algumas conquistas de direitos sociais, migram novamente para outros países;
  • a defesa do trabalho desregulamentado pelos que argumentam que isso gerará mais empregos contribui para ocultar a exploração de trabalho clandestino e a semi-escravidão;
  • o avanço na redução das taxas de emprego impõe a necessidade de aceitar o trabalho sob condições precárias.
Diante de tudo isso não dá para ter otimismo. Mas divulgar dados como esses - ainda que ainda sejam poucos e superficiais, de acordo com a própria ONU - ajuda a conscientizar o mundo sobre essa realidade oculta.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Bola de neve


Há alguns dias uma amiga me perguntou se a crise econômica internacional me afetaria diretamente. Eu disse a ela que uma das primeiras áreas em que as empresas costumam cortar verbas é a área de marketing. Por conseguinte, os departamentos de marketing economizam na contratação de pesquisas de mercado.
Se a verba é cortada na matriz internacional, a repercussão do corte será maior ainda no mercado nacional.
Mas é uma bola de neve da qual é impossível qualquer um, em qualquer área, escapar.

"7% dos anunciantes americanos pretendem reduzir seus orçamentos de marketing em função da crise econômica. É o que diz uma pesquisa realizada pela Association of National Advertisers. Indica ainda que 68% dos anunciantes planejam 'desafiar' suas agências a reduzir despesas internas ou outros custos. E 48% estão estudando neste momento como reduzir a remuneração de suas agências." Saiu no Blue Blus hoje.

Cronologia do nosso tempo (8)

09 a 10/02/09
  • Demissão afeta um terço dos lares em SP: pesquisa Datafolha realizada entre os dias 3 e 4 de fevereiro revela que ao menos um trabalhador perdeu o emprego em 31% das casas nos últimos seis meses. O Datafolha revela ainda que o desemprego atingiu com mais força as casas das famílias de menor renda. Dos que pertencem às classes D e E, 40% dizem que alguém no lar perdeu o trabalho há até seis meses.
  • Diferentes setores ampliam concessão de férias coletivas: 8.990 funcionários da empresa Carambeí (setor de abate de frango) em quatro estados do país.
  • Acordos coletivos para evitar demissões já reduziram a carga horária e os salários de pelo menos 7 mil trabalhadores no Rio Grande do Sul. Três empresas convenceram os trabalhadores da necessidade da medida: GKN, Randon e MWM International.
  • Nissan prevê demitir 20 mil no mundo.
  • Acordos prevendo flexibilização já atingem cerca de 40.600 trabalhadores do setor metalúrgico no Estado de São Paulo, funcionários de 66 empresas. Outras 604 metalúrgicas paulistas -que empregam cerca de 167,9 mil pessoas- procuraram os sindicatos pedindo a abertura de negociações visando flexibilização.
  • Pelo menos 11 faculdades privadas do DF atrasam salários de docentes. Pelo menos 2,5 mil docentes estão prejudicados com a situação. Alguns não receberam os salários de novembro, dezembro, 13º e adiantamento relativo a férias.
  • Ford dá férias coletivas para 800 trabalhadores em São Bernardo do Campo a partir de 19 de fevereiro.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cronologia do nosso tempo (7)

05 a 08/02/09
  • Demissões nos Estados Unidos atingem maior nível em 7 anos. As empresas norte-americanas anunciaram 241.749 demissões em janeiro.
  • A crise já teria tirado o trabalho de 2,9 milhões de pessoas na América Latina.
  • A Perdigão também anunciou férias coletivas em Dourados (220 km de Campo Grande, MS). Serão 1.520 trabalhadores da unidade de produção de aves e ração.
  • Acordo revê 502 demissões da John Deere, fábrica de colheitadeiras do Rio Grande do Sul. Desde outubro, a dos Federação dos Metalúrgicos já contabilizou 3.313 dispensas de trabalhadores da categoria.
  • Ford dá férias a 800 e paralisa unidade de caminhões em São Bernardo do Campo (SP). Outras montadoras de caminhões já anunciaram férias coletivas. Na Mercedes-Benz, por exemplo, a parada atinge 7.000 funcionários. Ao todo contando com a Volkswagen, 11,3 mil funcionários ficarão em casa.
  • Fabricantes de autopeças demitem cerca de 3.700.
  • GM pode demitir 5 mil funcionários nos EUA.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cronologia do nosso tempo (6)

04/02/09
  • Perdigão dá férias coletivas de 30 dias a 2,8 mil em Porto Alegre e Lajeado (RS).
  • A Iveco, fabricante de caminhões do grupo Fiat em Sete Lagoas (MG), dá férias coletivas pela 3ª vez desde dezembro.
  • Em Sorocaba, a ZF do Brasil, do setor de autopeças, confirmou a demissão de 236 empregados, somando-se aos 70 já dispensados em janeiro.
  • Desemprego na Espanha sobe 47% em 1 ano e atinge 3,3 milhões. O número de desempregados estrangeiros no país aumentou 86,74%.
  • Em São José dos Campos (SP), cerca de 1.000 trabalhadores rejeitaram a proposta da Associação dos Empresários do Chácaras Reunidas (Assecre) de redução de jornada e salários em até 25%.
  • A Petroquímica Quattor, no ABC, demitiu 63 trabalhadores.

Cronologia do nosso tempo (5)

31/01 a 03/02/09
  • Corte de vagas afeta mais mulheres, jovens e negros: nas grandes metrópoles do Brasil, em tempos de crise, os maiores prejudicados com o desemprego são do sexo feminino, pretos ou pardos, jovens e com pelo menos o ensino médio completo, segundo dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) levantados pelo IBGE.
  • Pesquisa do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi) realizada entre os dias 12 e 15 de janeiro já mostrou que cada empresa do setor demitiu em média 2,5 trabalhadores no último trimestre do ano e ainda pretende dispensar 3 empregados nos próximos meses em função dos impactos da crise financeira internacional. O Simpi representa cerca de 200 mil empresas e emprega 1 milhão de trabalhadores.
  • Somente em dezembro, 8.620 postos formais de trabalho foram fechados na região do Grande ABC. Os setores que mais encerraram vagas foram: indústria (4.699) - puxada pela cadeia automobilística; serviços (2.484), construção civil (870) e comércio (714).
  • Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP): demissão em dezembro supera sazonalidade. 25% dos 87,4 mil empregos perdidos em dezembro não deveu-se a fatores sazonais, como período de chuvas e de férias. Dos 21,7 mil postos de trabalho fechados em novembro, 15% não resultaram da sazonalidade.
  • Crise leva ao corte de 20 mil na produção de frutas no Nordeste. Um exemplo: na empresa Logus Butiá, produtora e exportadora de uvas em Petrolina (a 790 km de Recife), quase todos os empregados foram demitidos. Dos 300 funcionários, restaram 50.
  • Flexibilização de direitos trabalhistas pode agravar crise, alerta magistrado. O juiz do trabalho e professor da Universidade de São Paulo Jorge Luiz Souto Maior alerta sobre os riscos desse tipo de negociação. O professor lembrou ainda que a simples existência de uma crise não justifica o sacrifício dos trabalhadores. É preciso que a empresa comprove a dificuldade econômica.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cronologia do nosso tempo (4)

Dia 30/01/09:
  • No ABC mais acordos com corte salarial. Total de 3,6 mil trabalhadores da MWM e da Sabó terão jornada menor. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) não participou da negociação por ser contrária a cortes de salários. A legislação só permite as alterações no contrato em casos específicos de empresas que comprovem problemas financeiros. Não podem ser generalizadas a todo um setor.
  • Empresas americanas, europeias e japonesas anunciaram mais de 25 mil demissões ao longo dos próximos meses. A crise também afeta o setor exportador da Índia, que só em dezembro demitiu 1 milhão de trabalhadores, segundo o governo daquele país.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Cronologia do nosso tempo (3)

Dia 29/01/09
  • Demissão em massa nas metalúrgicas de Joinville: 113 funcionários da Tupy, 180 na metalúrgica Duque. É só o começo.
  • Dirigentes da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) comemoram (!) o primeiro acordo do gênero a ser fechado no país durante a atual crise financeira global: "O acordo vale por 90 dias e prevê uma redução de salários de 15%. Em troca, os funcionários ganham a garantia de que seus empregos serão preservados pela diretoria da empresa por 135 dias - quatro meses e meio." É o começo do fim.
  • Por causa da crise financeira, a Vale já demitiu 1.300 pessoas e deu férias coletivas de um mês para 5.500 funcionários. Sete sindicatos já aceitaram licença com meio salário proposta pela Vale.
  • Trabalhadores do Polo Industrial de Camaçari protestaram contra demissões.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cronologia do nosso tempo (2)

Dia 28/01/09

  • Crise pode gerar 50 milhões de desempregados no mundo em 2009, aponta OIT. "As empresas pararam de contratar e estão demitindo trabalhadores em números significativos". "A crise pode ainda fazer com que 200 milhões de trabalhadores sejam levados para abaixo da linha da pobreza, principalmente nos países em desenvolvimento."
  • O Banco PanAmericano, braço financeiro do Grupo Silvio Santos, demitiu 370 funcionários e decidiu terceirizar outros 867 empregados.
  • "Aprovado em São Paulo o primeiro acordo para redução de jornada de trabalho e salário pelo sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi. Os trabalhadores aceitaram uma jornada com um dia a menos na semana e terem o salário reduzido em 15%. O acordo vale por 90 dias. Em troca, quando voltarem às atividades, os empregados terão estabilidade de três meses." E houve sindicalista que comemorou o sacrifício dos trabalhadores como um avanço.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Cronologia do nosso tempo

Dia 26/01/09
  • Uma segunda-feira de demissões: dia teve 76 mil cortes ao redor do mundo; indústria paulista dispensou 130 mil em dezembro (O Globo)
  • Multinacionais anunciam corte de mais de 70 mil em um só dia (Folha de S. Paulo)
  • Fábricas paulistas perderam sete mil vagas em 2008. Em dezembro 130 mil vagas foram fechadas, maior nível em 14 anos. (Jornal Nacional)
  • Caterpillar já demitiu 380 pessoas no país, negocia redução de jornada e já concedeu férias coletivas.
  • A Volkswagen Caminhões vai conceder novas férias coletivas a 3,5 mil funcionários.
O mundo se assustou com a rapidez das demissões em massa.

Dia 27/01/09
  • BSH Continental demite 200 em Hortolândia (SP)
  • Mais de 10 mil trabalhadores fazem ato contra demissões e redução de salários em Sorocaba. A indústria de eletroeletrônicos Flextronics, somente em dezembro de 2008 demitiu 2,4 mil trabalhadores.
  • No Grande ABC, a indústria demitiu em dezembro 5.349 trabalhadores apenas nos municípios de São Bernardo, Santo André, São Caetano e Diadema, incluindo os registrados em carteira, temporários e estagiários.
  • Santander e Real vão integrar agências em março. Futuro = demissões.
  • Clientes do Itaú e Unibanco podem sacar em qualquer agência. Futuro = demissões.

Desemprego atingirá 2,4 milhões na América Latina

A previsão é da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Entre outras conclusões o relatório
Panorama Laboral aponta que:

- As mulheres continuam sendo mais afetadas pelo desemprego que os homens. A taxa de desemprego feminina foi, em média, 1,6 vezes maior do que a masculina.

- Com informação de nove países para 2008, a taxa de desemprego juvenil foi 2,2 vezes maior do que a taxa de desocupação total.

Ou seja, as mulheres e jovens continuam sendo os mais afetados.

O pequeno avanço obtido pelo Brasil na diminuição da taxa de desemprego foi superado pela crise internacional. Ainda que as taxas nacionais não estejam ruins, só em dezembro foram fechados mais de 650 mil postos de trabalho formais!

O Brasil, ocupando a posição que ocupa na economia latino-americana provavelmente contribuirá muito para a concretização das previsões da OIT. E mais do que o desemprego, infelizmente deverão aumentar, do meu ponto de vista, a exploração do trabalho infantil, o trabalho escravo e a desregulamentação. Hoje um comentarista econômico disse: "O Brasil não vai quebrar". Não, mas esperamos que não seja às custas da redução do trabalho decente.

Cartaz contra o trabalho escravo no mundo