segunda-feira, 23 de julho de 2007

Aterro em Nova Iguaçu

  • Hoje na Globo News uma matéria mostrou o Aterro Sanitário de Nova Iguaçu, considerado modelo, que tem contrato com uma empresa da Holanda para fornecimento de gás oriundo da queima do lixo. O contrato é estimado hoje em R$ 13 milhões.
  • O interessante é que o Protocolo de Kyoto exige que seja feita uma auditoria sobre os volumes de gases de diversos tipos que eles conseguiram evitar que fosse liberado no meio-ambiente. A auditoria é feita por um órgão da ONU, mas para garantir a transparência do processo, mesmo antes da auditoria oficial eles são auditados por uma empresa americana.
  • Ou seja, os EUA não assinam o Protocolo de Kyoto mas lucram com ele!

domingo, 22 de julho de 2007

O déficit de professores e a Lei de Responsabilidade Fiscal

Hoje está mais complicado dar aulas na rede pública. Há alguns anos, uma pessoa formada em Ciências Sociais podia lecionar disciplinas como OSPB e Estudos Sociais (lembram-se?), mas também História e Geografia, pois não havia a disciplina de Sociologia em todas as escolas.
Eu cheguei a dar aulas no Estado de OSPB e Sociologia da Educação para o Magistério.
Hoje, as portas fecham-se para o sociólogo e o ensino de Sociologia continua sem estar amplamente disseminado e implantado na rede pública.
Há profissionais que gostariam de lecionar, apesar até da baixa remuneração, mas não conseguem vagas.
Então, é importante conhecer os dados do relatório "Escassez de Professores no Ensino Médio: Soluções Estruturais e Emergenciais'', do Conselho Nacional de Educação, citado em matéria do Estadão de hoje.
Segundo a matéria, "as escolas públicas brasileiras sofrem um déficit de 246 mil docentes no ensino médio. Faltam, principalmente, docentes graduados em Física, Química e Matemática."

A professora Lisete Arelaro, Chefe do departamento de Administração Escolar e Economia da Educação, na Faculdade de Educação da USP, alerta para vários aspectos:
  • essa questão já está colocada há mais de 10 anos "desde que passou a prevalecer a lógica de um corte radical de gordura no funcionalismo público";
  • há "milhões desviados por certas ONGs que se comprometeram com alfabetização de adultos e jovens";
  • "Tanto a saúde quanto a educação são áreas sociais claramente deficitárias, cuja privatização não resolve, porque os pobres não são lembrados por ela."
  • "É hora de reavaliar a Lei de Responsabilidade Fiscal e priorizar a educação nos próximos anos."
No último período muitos pregaram que a municipalização do ensino seria benéfica para a população. Mas o que ocorreu, na prática, foi que a responsabilidade da educação foi transferida para o município e ao mesmo tempo a Lei de Responsabilidade Fiscal terminou por engessar as prefeituras. Enquanto 66 milhões de brasileiros (dado citado por Lisete) não tem o ensino fundamental completo, os municípios não podem ultrapassar 60% com pessoal, e os cortes terminam recaindo na educação.

Leia a entrevista com Lisete Arelaro na íntegra.

terça-feira, 17 de julho de 2007

1000ºC de dor

Há duas semanas mais ou menos eu estive despachando uma carga no prédio da TAM Express à noite. O fruto de um extenso trabalho de pesquisa precisava chegar a seu destino e fomos para o Aeroporto de Congonhas. Era a segunda vez nos últimos meses que eu ia lá e fiquei observando os funcionários em seu turno noturno.
Começando o programa Linha Direta, da Globo, ouvi um deles comentar com o colega - "Ih, agora as mortes...". A TV ficava num suporte, para "entretenimento" de funcionários e clientes. Percebi pelas reações que eles estavam cansados de más notícias, de ver mortes, ainda mais naquele trabalho noturno desgastante.
Tanta burocracia e reclamações... Os últimos transtornos eram causados pela transferência de alguns vôos noturnos para Guarulhos, devido às reclamações dos moradores da vizinhança.

Hoje aquele terminal de cargas incendiou-se, junto com o avião da TAM. Centenas de vidas perdidas, incluindo alguns, não sei quantos, nem quem, daqueles rapazes que nos atenderam mais de uma vez. E talvez clientes, sobre os quais a imprensa nem comentou provavelmente pela imensa falta de informações. Eu poderia estar lá.

1000ºC, a temperatura do incêndio. 1000ºC de dor.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

A tv de plasma de 103 polegadas

Eu estava na loja e vi com meus olhos.
Reproduzo aqui a imagem do produto à venda no site, embora indisponível no momento.
Infelizmente no site da loja não tem foto do produto, mas acreditem em mim. Ela existe.
Mas eu acho que uma TV que custa R$ 300 mil só deveria existir quando todos tivessem uma casa para morar com dignidade. Por enquanto só podemos adicionar essa vontade à "lista de desejos".
Atentem para o comentário de um cliente satisfeito, cujo nome deixo no anonimato por questão de ética.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

O Brasil no Digg

Por curiosidade, pesquisei no Digg, site colaborativo internacional, sobre Brazil. Encontrei aproximadamente 1965 posts em 131 páginas.
A primeira observação é que estes posts têm poucos "diggs", ou seja, baixa pontuação na preferência dos usuários / leitores do site.

Não tenho tempo disponível para fazer uma estatística dos assuntos, mas notei alguns temas recorrentes, que de certa maneira refletem os temas que estão chamando a atenção no exterior sobre o Brasil, tais como:
- Ethanol Deal, referindo-se à visita de Bush
- Dicas de viagem para o Brasil (previsível)
- Futebol, incluindo o Brasil fora da Copa
- A proibição do YouTube no Brasil, desde as razões até a notícia de que não estava mais bloqueado

Outros temas não são muito frequentes, mas chamam a atenção:

- Brazil metro collapse, sobre o desastre na estação de metrô da Linha 4
- A adesão dos brasileiros aos softwares livres, como o Linux
- Google Brazil versus governo brasileiro por causa do Orkut (a questão da recusa em divulgar dados sobre usuários acusados de prática de pedofilia, pornografia e outros crimes)
- Brazil Gay Pride, sobre a Parada do Orgulho Gay
- A intenção da Gol em comprar a Varig (quando ainda era intenção)
- Os ataques do PCC em maio de 2006
- A visita do Papa (sua condenação à política do governo de distribuição gratuita de preservativos, a canonização de Frei Galvão)

Outros são meras curiosidades, como o vídeo mostrando How to make a Caipirinha (como fazer uma caipirinha).

terça-feira, 3 de julho de 2007

Repúdio a um livro didático

Professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro estão criticando um livro de geografia recomendado pelo MEC para alunos da 6a série. Segundo eles, trata-se de uma apologia ao tráfico de drogas dirigida a estudantes de 11 a 13 anos.

A discussão intrigou-me, mas não acho aconselhável realizar algum juízo de valor sobre o tema sem conhecer a obra, a proposta e a trajetória dos autores do livro. Vamos pesquisar...

A notícia que saiu no A Tarde online diz que:

"Professores da rede municipal do Rio preparam um manifesto criticando o livro "Geografia - Sociedade e Cotidiano", da editora Escala Educacional, por apresentar um mapa intitulado Áreas de Atuação de Grupos de Tráfico de Drogas no Rio de Janeiro. O documento pedirá a retirada de circulação do material e será enviado ao Ministério da Educação (MEC). O livro, apesar de indicado pelo MEC, foi vetado pela prefeitura carioca nas escolas municipais.

"Esse livro é anti-pedagógico, uma agressão ao povo do Rio", disse o ex-secretário estadual de Educação e membro da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier. "É preciso haver maior transparência nos métodos de escolha pelo MEC. Ninguém conhece os critérios de avaliação, quem são os avaliadores, por que um deve e outro não deve ser aprovado", criticou o educador. (...)

A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Maria Beatriz Rios, criticou a abordagem do livro, mas admitiu que o assunto deve ser tratado em sala de aula. O sindicato deve se reunir para analisar a questão e decidir se adere ao manifesto, que, segundo ela, surgiu por iniciativa dos professores. "Não tem como esconder essa realidade (do tráfico), mas temos que ver a maneira como tudo isso será abordado em sala de aula.", disse Maria Beatriz."

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Na esteira da eleição das novas 7 maravilhas do mundo, "o caderno Mais!, da Folha, realiza até quarta-feira, 4 de julho, a enquete "Sete Maravilhas". Foram escolhidas sete áreas: arte, cidades, ciência, cinema, filosofia, internet e literatura. As indicações foram dadas por especialistas convidados pelo caderno. O resultado será anunciado na edição de 8 de julho." (da Folha de S. Paulo).

Não apreciei todas as indicações, mas quem quiser vê-las ou votar pode acessar "Sete Maravilhas".

Não sei porque Música ficou de fora. Há detalhes como em Arte uma das indicações ser da filmografia completa de um cineasta, o que seria redundante pois já há a categoria Cinema. Também faltaram links para ver ou conhecer melhor cada obra indicada, o que costuma existir na maioria das votações online bem produzidas.

Como cada lista de indicações veio de um especialista convidado, também caberia um link de referência do especialista.

Cidades
Cinema
Web
Literatura
Filosofia
Ciência
Arte

sexta-feira, 29 de junho de 2007

O que é traumático

A socialite americana Paris Hilton qualificou como "traumático" o tempo que passou em uma prisão de Los Angeles por dirigir com a carteira de motorista suspensa. (BBC, 29/06/07)

Traumáticas são as estatísticas de acidentes de trânsito!
Traumáticas são as prisões injustas de pessoas inocentes e pobres.
Traumática é a impunidade!

Traumático é saber que muitos acidentes nas estradas brasileiras envolvendo ônibus de turismo são causados pela ausência de cinto de segurança nos veículos. Ontem a Globo News noticiou que a maioria dos ônibus não tem cintos ou os cintos estão quebrados.
E em caso de fiscalização por guarda de trânsito, o motorista do ônibus é que é multado e ganha pontos na carteira.
Enquanto for assim, as empresas de ônibus não se preocuparão em equipar os veículos e proporcionar segurança aos passageiros. Enquanto não lhes pesar no bolso, nada mudará.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

17 povos vivem na 'iminência' de extinção


Dados divulgados pelo Boletim Famaliá dão conta de que a ameaça de extinção de povos indígenas não deixou de existir ainda.

Os que pensam que a extinção desses povos é um fato do passado, devem mudar de idéia. Os dados divulgados pelo Cimi são alarmantes.

Para os que se interessam pela questão indígenas, dois eventos se destacam:

- II Seminários dos Povos Indígenas e Sustentabilidade


- Í
ndios lançam ensaio fotográfico em São Paulo: no MIS a partir de 26/06/07


17 povos vivem na 'iminência' de extinção, alerta CIMI

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) acredita que existem 17 povos indígenas isolados vivendo "na iminência de extinção". Eles ficam no Acre, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia. Um dos casos envolvendo denúncia de genocídio ocorreu entre os povos isolados do Rio Pardo, nos Estados do Amazonas e Mato Grosso.

De acordo com denúncia no Ministério Público Federal, houve massacres nos municípios de Apuí e Colniza, no fim de 2004 e início de 2005. Segundo o Cimi, um grupo de madeireiros, com participação de um ex-delegado de polícia de Mato Grosso, invadiu a área indígena e matou os índios.

Em outubro de 2005, a Frente de Proteção etnoambiental Madeirinha, da Funai, fez contato visual com um grupo de três índios sobreviventes. A terra indígena foi interditada por duas portarias, mas, segundo o Cimi, "falta fiscalização da área". Para o Cimi, grupos de extermínio agem a serviço de grileiros de terras, madeireiros e fazendeiros, que tentariam eliminar "qualquer vestígio de presença indígena para inviabilizar a demarcação de suas terras, liberando-as para a apropriação privada, exploração dos recursos naturais, pecuária e agronegócio". Os riscos vão além dos conflitos. A história dos matizes é um bom exemplo de como o contato com o branco pode ser desastroso.

No início da década de 70, eles não tinham contato com outras culturas e eram aproximadamente mil. Com a chegada da Funai, e após os madeireiros (2002), eram 216. Em meados de 90, eram 100 apenas.
Voltaram a crescer após o isolamento dos rios Ituí e Itaquaí, em 1996, pela Funai.

Fonte original: O Estado de S. Paulo

Death Poem

Catatau, que visitou o Parapeito de Papel outro dia, cumpriu sua promessa e foi buscar na Universidade de Iowa um dos poemas escritos em Guantânamo, o qual também transcrevo aqui. Como ele diz em seu blog, "junto a filmes como Road to Guantanamo, e manifestações artísticas como as de Bansky, o livro de poemas é um esforço a mais para dar voz a quem - no país da liberdade - não possui voz alguma.".

Death Poem

Take my blood.
Take my death shroud and
The remnants of my body.
Take photographs of my corpse at the grave, lonely.

Send them to the world,
To the judges and
To the people of conscience,
Send them to the principled men and the fair-minded.

And let them bear the guilty burden before the world,
Of this innocent soul.
Let them bear the burden before their children and before history,
Of this wasted, sinless soul,
Of this soul which has suffered at the hands of the “protectors of peace.”

(Jumah al Dossari)